Sou Josefa Graciosa Jardim Madeira, Mo�ambicana de 37 anos, m�e de 5 filhos. Gostaria, hoje, apresentar-vos a mea historia com o Sida. Foi precisamente no dia 10 de junio 2003 quando eu conheci a Comunidade de Sant`Egidio, no centro DREAM de Manga na Beira, a segunda cidade de Mo�ambique.
N�o me sentia doente e n�o queria fazer o teste, porque sentia-me muito bem de sa�de. Foi gra�as a uma irm� que me convenceu a fazer o teste, e come estivesse gravida e queria saber o estado da minha sa�de. Eu tive que entregar aos testes. A distancia de pr�-natal para o centro DREAM � muito pr�xima mas o p�s pesavam muito para chegar, porque toda gente diz que as pessoas que v�o l� tem SIDA...
Foi no dia 10 de Junho numa manha o dia de semana j� n�o me recordo, s� me lembro a dada o m�s e o ano. E� uma coisa que nunca vou me esquecer. Foi para mi uma gra�a.
Cheguei na comunidade sentei no banco e fui muito bem atendida pelos operadores, eram muitos am�veis. Eu encontrei uma nova humanidade.
Eu disse que ia fazer o teste, entrei dentro e fiz. Chegou a vez de ouvir o resultados. Tinha medo ma queria conhecer a resposta. A enfermeira come�ou a conversar comigo. Conversamos tanto, tanto, e depois come�ou a me dizer aos poucos, que era seropositiva. Mas tamb�m explicou-me que a minha n�o era uma condena a morte, como todos pensam em Mo�ambique e eu naquela altura pensava.
Esta n�o foi uma coisa f�cil a aceitar. Como poderia fazer? O que dizer a minha fam�lia? Qual era o meu futuro?
Quando saii do centro entregaram-me muitas coisas por o meu beb�. Fui para casa com aquilo tudo dentro das caixas. Quase n�o me apercebia do que era acontecido. Quando cheguei em casa, primeira coisa foi directamente no quarto. Deixo as minhas coisas e deitei-me na cama. Comecei a chorar. E eu dentro de mi dizia, eu vou morrer e os meus filhos com que v�o ficar. J� estou morta, as minhas crian�as n�o v�o ter o amor da m�e. V�o crescer sem conhecer a sua m�e. Porque tinha que acontecer isso comigo? Enquanto isso eu chorava. Chorei muito nesse dia. Continuei a chorar mais dum m�s.
No mesmo dia a minha m�e chegou e tive que lhe dizer. N�o consegui ficar com aquele peso sozinha no peito e ela perguntou: �E agora n�o te d�o nada l� no hospital?� Eu respondi: �Vou tomar comprimidos, mas � para sempre�. E ela disse: �Que fazer cumpri-la, minha fila?�.
Voltei de novo no quarto, chegou ou meu marido do servi�o e v� aquela caixa. Ele perguntou: �O que � isso?� Respondi: �E� enxoval para o beb�, foi me dado no hospital. Apareceu uma organiza��o que esta a ajudar algumas senhoras�. Eu menti, n�o disse a verdade. Ele abriu a caixa, viu
Aquilo, gostou e disse; �Nosso filho tem sorte�. Eu dentro do meu cora��o dizia: �Coitado nem sabe como isso apareceu aqui� N�o tive coragem de dizer-lhe logo a minha situa��o . S� lhe-disse que a crian�a n�o poderia mamar. Ele perguntou: �Porque?� Disse que tinha sido proibido no hospital porque n�o tenho bom leite do peito. Ele admirou: �Porque n�o tem bom leite?�. Eu disse: �E�os m�dicos que disseram n�o estava em altura de dar o peito�. Dai calou-se.
Comecei com o tratamento. N�o faltei e nunca fiquei sem tomar os comprimidos. Chegou o dia do parto e tive o beb�. Em esse preciso momento eu j� estava a ver o mundo de outra maneira. J� n�o chorava mais, comecei a esperar e quando eu ia ao centro era bem recebida, bem acolhida e n�o sentia aquela dor no peito...Comecei a ter muitas amizades de homens, mulheres e crian�as que viviam a mesma situa��o senti-me mais forte. Continuei com os meus compromissos j� com a crian�a nas m�os. Eu tinha confian�a. A confian�a foi a minha salva��o. Tudo o que me diziam os m�dicos de DREAM eu fazia. Tamb�m comecei a aconselhar o meu marido para fazer teste. Apanhei a coragem de falar, de viver e de lutar. Ai eu j� tinha tamb�m for�a de encorajar aos outros. Ele tamb�m recusava dizendo que estava bem e n�o tinha problema nenhum e n�o sentia nada. Eu j� com a minha experi�ncia n�o cansava de falar com ele para fazer o teste. N�o foi f�cil para convece-lo. Um belo dia apareceu ao centro tamb�m para fazer o teste. Os p�s de ele tamb�m pesavam para chegar a o centro mas com a minha experi�ncia chegou assim com eu tinha chegado. Fez o teste que tamb�m deu positivo.
Enquanto a mi�da foi crescendo bem saud�vel n�o teve problema de sa�de. Aos 10 meses come�ou a ficar de p� a aos 18 meses ela fez o teste: teve o resultado negativo.
Para mi foi uma grande alegria, uma imensa alegria. Eu, m�e seropositiva, gerar uma filha negativa. Dai eu saltei de alegria e continuei a encorajar mais ainda os outros pacientes, se eu tinha conseguido salvar a minha filha tamb�m outras m�es podiam salvar-se e salvar a vida das suas crian�as. Fui ver que era verdade. Eu vi que era poss�vel vencer a doen�a. Tenho a crian�a saud�vel. Foi uma grande alegria em ter uma crian�a sem os meus problemas. Agora eu tenho em frente uma nova vida para viver com todos os meus filhos. A minha ultima filha, a mas pequenina, fez-me conhecer o mundo, ensinou-me algumas coisas diferentes na minha vida. Atrav�s desta historia eu tive oportunidade de compreender melhor o valor da vida. No centro DREAM de Beira eu vejo tamb�m as crian�as a sofrer com a doen�a e algumas acabam perdendo a vida. Ent�o esta minha filha e tamb�m uma mensagem de esperan�a de vida sem sofrimento de doen�a. Todas a crian�as tem esse direito.
Agora sou activista de associa��o Mulheres para o DREAM, eu sinto-me muito contente com o meu trabalho.
Posso mostrar as outras pessoas o meu testemunho que vale a pena fazer o tratamento para ter um bons resultado, mas sobretudo para recome�ar a esperar no futuro. Por isso as minhas palavras s�o eficazes porque o que eu passei foi uma grande luta. Por isso agora aconselho a outras pessoas. Dou palestra falo das vantagens de fazer a terapia. Tudo isso e uma coisa muito bonita na minha vida, sou orgulhosa do meu trabalho e do meu testemunho que pode mudar a vida de tantas mulheres como mi. Nem sinto que sou uma pessoa positiva. N�o tenho problemas, sinto-me muito bem, com o trabalho, a minha filha esta saud�vel e me sinto muito feliz, encontrei um novo. Sentido pela minha vida, n�o sou uma mulher de evitar porque doente e faz medo, mas uma mulher respeitada e que muitos procuram porque precisam de mi para lutar contra esta doen�a. Agrade�o muito a Comunidade de Santo Egidio e o programa DREAM porque se n�o existisse talvez eu neste momento estaria morta.
Tamb�m que Deus d� for�a e coragem aqueles que trabalham com paix�o e intelig�ncia a este programa que ganha a vida de muitos Africanos. Espero que a vida de muitas mulheres africanas, como mi podem ser salvas. Ao finalizar agrade�o tamb�m todos aqueles que participam neste XIX encontro internacional de ora��o pela paz.
Acredito que titulo desta conferencia �Coragem Humanismo de paz� � o resumo de minha historia pessoal. Acredito que esta coragem � o que se necessita para o futuro de �frica inteira.
Obrigada.