Comunità di S.Egidio


 

23/03/2004


Sida: Guin� Bissau � o pr�ximo alvo do projecto DREAM, de combate

 

Joanesburgo, 16 Mar (Lusa) - A Guin�-Bissau � o pr�ximo alvo do projecto DREAM de combate Sida em frica, desenvolvido pela Comunidade de Santo Eg�dio, depois do sucesso da experi�ncia inicial em Mo�ambique, afirmou hoje ag ncia Lusa o porta-voz do projecto.

"Depois de termos iniciado o projecto apenas em Maputo, dispomos actualmente de 13 centros em todo o territ�rio de Mo�ambique e a inten��o � de alargar a rede n�o s� neste pa�s como a seis outros pa�ses j� identificados, nalguns dos quais j� come��mos a dar os primeiros passos", adiantou Marazziti.

O porta-voz da Comunidade de Santo Eg�dio afirmou Lusa que o primeiro destes novos destinos a Guin�-Bissau, onde o projecto DREAM arrancar� a partir de um hospital que a organiza��o teve de reabilitar ap�s ter servido de base militar senegalesa, durante a guerra civil no pa�s.

Mario Marazziti falava pouco depois de ter anunciado em confer�ncia de imprensa, em Joanesburgo, os resultados da aplica��o do projecto em Mo�ambique durante os dois �ltimos anos, descritos como "espectaculares" e "sem precedentes no continente africano".

Segundo a mesma fonte, que citou estat�sticas compiladas pela organiza��o, 97 por cento dos filhos de m�es seropositivas submetidas ao m�todo do DREAM nasceram seronegativos enquanto 95 por cento dos mo�ambicanos doentes com Sida que cumpriram igual protocolo continuavam

vivos ao fim de 400 dias.

"Ap�s os dois primeiros anos, o DREAM deu os melhores resultados de sempre na �frica Austral e nove em cada 10 adultos a receberem em pleno a terapia de tr�s anti-retrovirais e apoio multifacetado vivem bem e come�aram novas vidas", sustentou Marazziti.

"Tendo sido protagonista no processo de paz em Mo�ambique, assinado em Roma ap�s dois anos e meios de negocia��es, a Comunidade de Santo Eg�dio viu a Sida como um segundo e talvez mais mortal conflito a ser bloqueado e extinto", afirmou o porta-voz ao explicar as ra�zes do projecto.

O DREAM consiste na aplica��o de uma Terapia Antiretroviral Altamente Activa (HAART) - onde se combinam tr�s drogas para fomenta��o do sistema imunol�gico e combate presen a de v�rus no sangue, sob acompanhamento laboratorial pr�ximo e cont�nuo dos pacientes.

Articula-se ainda com programas de alimenta��o adequada, educa��o sobre cuidados sanit�rios espec�ficos, e combate a doen�as oportunistas.

"O nosso principal foco � a mulher. Depois as crian�as.

Queremos travar a transmiss�o da doen�a da m�e contaminada para os filhos e manter aquela viva. A terapia � exequ�vel, efectiva e gratuita", assegurou o porta-voz.

Marazziti descreveu como "um erro terr�vel" optar-se pela solu��o "mais barata" de reduzir o ataque a esta doen�a a um �nico anti-retroviral, como a Nevirapine, porque se esta droga � eficaz ao n�vel da produ��o de c�lulas brancas, j� n�o o �, ao mesmo n�vel, no combate viral. "N�o somos contra a Nevirapine", precisou ao ser confrontado pelos jornalistas de que este ser� o anti-retroviral a distribuir a n�vel nacional pelo governo sul-africano.

"N�s usamo-lo, mas dentro de um 'cocktail' (de outros f�rmacos). De outra forma corre-se o risco de se estar a criar uma resist�ncia ao uso no futuro de uma terapia tipo HAART".

O porta-voz precisou depois que a prioridade da organiza��o � actualmente reduzir os encargos relacionados com a aplica��o desta terapia (cerca de 800 d�lares por pessoa/ano) atrav�s de acordos com empresas farmac�uticas e atrair parceiros, como o Banco Mundial.

"Oitocentos d�lares por pessoa por ano pode parecer e � muito dinheiro, mas s�o n�meros irris�rios quando comparado com as verbas gastas em guerras e produtos cosm�ticos, por exemplo.

Vistas assim as coisas n�o � nada. � apenas uma quest�o de op��es", sublinhou Marazziti.